domingo, 24 de abril de 2011

O início de uma noite surreal...

Esse meu blog tem publicação praticamente anual, mas acho que tenho que estar realmente inspirada pra escrever aqui...
Esses dias tava lembrando uma das noites mais esquisitas que já tive. Quem esteve presente com certeza vai concordar que a noite merece pelo menos um post em um blog.
Tinha marcado durante a semana de sair com uma amiga, a Nádia, e irmos a uma baladinha em Pinheiros. Como sempre, vou à casa dela para batermos um papo antes, nos arrumarmos e depois sairmos. Nessa noite ia sair mais uma amiga dela com a gente, A Maju, que conheci nesse dia mesmo (acho que foi isso). Depois de prontas fomos de táxi até a Cardeal. Na frente da balada percebemos que tínhamos saído cedo de casa, e que não tinha NINGUÉM na balada. Decidimos então fazer hora em um barzinho qualquer aproveitando para esperar outros dois amigos da Nádia: O Fábio e o Waldir.
Descemos a rua procurando um lugar pra beber ou comer alguma coisa, e eis que entramos as três em um barzinho. Não sei se me lembro bem da cena, mas foi meio surreal, uma mulher gritou do táxi, no exato momento em que entramos, e todo mundo olhou para nós, que paramos imediatamente. O cheiro do ligar era uma mistura de cerveja e banheiro público e saímos após nos olharmos com uma mensagem muito clara: Não era um bom lugar.
Começamos a rir sem conseguir explicar o que tinha acontecido exatamente. Descemos mais a rua e encontramos um lugar decente pra sentar e fazer hora. Ali começamos com caipirinhas e pizzas. Até que em um certo momento chega um cidadão pedindo para nos desenhar: “É o meu trabalho. Posso?” Após uma negociação do tipo “A gente só paga se gostar do desenho, ok?”, que obviamente não funcionou, topamos fazer o desenho e dividir o preço em três. O que nós não sabíamos é que quem nos estava desenhando era uma espécie de guru do além-mar.
Continuo em breve...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fra ginestra e girasole



"Guarda i girasoli: loro si inchinano al sole, ma se uno è troppo inchinato vuol dire che è morto. Tu sei un servitore, non un servo. Servire è l'arte suprema. Dio è il primo servitore; Lui è il servitore di tutti gli uomini, ma non è il servo di nessuno."

Zio Eliseo (Giustino Durano)dal film "La vita è bella" di Roberto Benigni


"(...) E l'uom d'eternità s'arroga il vanto.
E tu, lenta ginestra,
Che di selve odorate
Queste campagne dispogliate adorni,
Anche tu presto alla crudel possanza
Soccomberai del sotterraneo foco (...)"

La Ginestra, di Giacomo Leopardi



Acho que essas imagens, e essas palavras me definem. Ou pelo menos eu acho. O girassol segue algo muito acima dele, sem pestanejar e insistentemente, todos os dias. Aspiram ao alto sempre, usufruindo de uma luz que jamais alcançarão de fato. Nutrem-se do alto, mas se firmam e estão incondicionalmente aprisionados no chão. Não podem voar, por mais que tentem. Ainda assim, ao fim do dia, se inquinam, servos. Mas uma servidão nobre, de valor divino, sem se submeterem por completo a uma vontade alheia. O zio Eliseo, sábia personagem do fime "A vida é bela" (La vita è bella), ensina ao sobrinho, interpretado por Benigni, que devemos servir, mas com dignidade, e eu diria certa ambição.
A Ginestra conheci por Leopardi, ilustre e conhecido poeta italiano. De sua teoria filosófica e pessimista falarei em outro momento, por ora basta saber que ela é uma florzinha do campo que nasce na boca do Vesúvio. Em seu poema "La Ginestra", Leopardi explica o quanto a florzinha amarela aí de cima faz seu "trabalho" de florescer e existir, sabendo, no entanto, que será consumida pelo fogo a qualquer momento. Ela nãoaspira a mais nada. Existe, e tem consciência de sua morte. A Ginestra, como cada um de nós, não é nada.
Se ficou claro eu não sei, mas me coloco num pêndulo entre essas duas flores: Aspiro e me resigno. Sonho, e tomo consciência da minha existência. Ora sou Ginestra, ora Girassol. Acho que é isso.