quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fra ginestra e girasole



"Guarda i girasoli: loro si inchinano al sole, ma se uno è troppo inchinato vuol dire che è morto. Tu sei un servitore, non un servo. Servire è l'arte suprema. Dio è il primo servitore; Lui è il servitore di tutti gli uomini, ma non è il servo di nessuno."

Zio Eliseo (Giustino Durano)dal film "La vita è bella" di Roberto Benigni


"(...) E l'uom d'eternità s'arroga il vanto.
E tu, lenta ginestra,
Che di selve odorate
Queste campagne dispogliate adorni,
Anche tu presto alla crudel possanza
Soccomberai del sotterraneo foco (...)"

La Ginestra, di Giacomo Leopardi



Acho que essas imagens, e essas palavras me definem. Ou pelo menos eu acho. O girassol segue algo muito acima dele, sem pestanejar e insistentemente, todos os dias. Aspiram ao alto sempre, usufruindo de uma luz que jamais alcançarão de fato. Nutrem-se do alto, mas se firmam e estão incondicionalmente aprisionados no chão. Não podem voar, por mais que tentem. Ainda assim, ao fim do dia, se inquinam, servos. Mas uma servidão nobre, de valor divino, sem se submeterem por completo a uma vontade alheia. O zio Eliseo, sábia personagem do fime "A vida é bela" (La vita è bella), ensina ao sobrinho, interpretado por Benigni, que devemos servir, mas com dignidade, e eu diria certa ambição.
A Ginestra conheci por Leopardi, ilustre e conhecido poeta italiano. De sua teoria filosófica e pessimista falarei em outro momento, por ora basta saber que ela é uma florzinha do campo que nasce na boca do Vesúvio. Em seu poema "La Ginestra", Leopardi explica o quanto a florzinha amarela aí de cima faz seu "trabalho" de florescer e existir, sabendo, no entanto, que será consumida pelo fogo a qualquer momento. Ela nãoaspira a mais nada. Existe, e tem consciência de sua morte. A Ginestra, como cada um de nós, não é nada.
Se ficou claro eu não sei, mas me coloco num pêndulo entre essas duas flores: Aspiro e me resigno. Sonho, e tomo consciência da minha existência. Ora sou Ginestra, ora Girassol. Acho que é isso.